domingo, 11 de setembro de 2011
Je t'aime aussi
É sempre difícil começar alguma coisa. É difícil começar um texto, escolher o que será feito de nossas vidas, quando e como isso se dará. Escolhas são sempre difíceis, mas sem elas não podemos planejar. PLANEJAR. O que isso quer dizer realmente? Qual o valor desse vocábulo diante de algo tão grande como a vida e o futuro? Não sei dizer e peço encarecidamente que se alguém o souber e por ventura venha a ler esse texto, me responda.
O fato é: planejar nem sempre resolve nosso problema. A infinidade da vida, os sentimentos vão muito além disso. Após muitos planos, confesso que não sei se realmente os segui. Hoje mesmo faço coisas que não queria estar fazendo, vivo momentos que não sei se são meus. Pessoas entram e saem das nossas vidas muito rapidamente para que possamos dizer algumas palavras, como um simples Je t’aime. Mas e se isso é possível dizer? De fato, isso aconteceu.
Mas não vale a pena relatar toda a história, que por ocasião vem a ser um misto de sentimentos verdadeiros com coisas irreais, impossíveis até, eu diria. “Todos os caminhos são mágicos se nos levam aos nossos sonhos.” Uma vez me disseram essa frase, que foi retirada de um livro. Será mesmo que são mágicos? Será mesmo que nos levam aos nossos sonhos? Eles podem ser árduos e, de algum modo, nos conduzir realmente a algum lugar. Podem ser lindos, mágicos e somente causar dor. Foi o que aconteceu. Foi lindo e mágico, mas conjuguemos o verbo corretamente: FOI. Ou melhor: É? Há ainda mais uma possibilidade: SERÁ. De todas, prefiro que fique conjugado na ultima: Será.
Outro dia me fizeram um pedido: não pense hipoteticamente! Estranhamente acatei e prometi que não iria mais planejar em função de tudo que quero. Mas não consigo. Não posso fazer isso, pois meu pequeno príncipe faz questão de me lembrar a todo instante que estou definhando vagarosamente e mais do que nunca preciso retomar as rédeas. Mas não posso esquecer o que houve, nem ele quer que eu esqueça. Meu pequeno príncipe prometeu que estará sempre comigo, sempre que sentir sua ausência ou estiver envolvido por sentimentos que não costumo possuir, poderei chamá-lo e ele virá ao meu encontro. Assim sendo, sei que chegará o dia em que meu pequeno príncipe e eu seremos a mesma pessoa e aquele Je t’aime será retribuído com Je t’aime aussi mon ange! Somente isso. Je t’aime aussi.
sábado, 27 de agosto de 2011
Pra você, que é tão especial.
Às vezes fechamos as portas para algo inesperado. Pode ser um ladrão e o medo nos faz tomar essa atitude. Pode ser um mendigo, querendo somente algo para comer e saciar sua fome, e muitas vezes a repulsa é a única culpada pelas portas cerradas. Pode ser uma pessoa importante, trazendo boas novas, vindo de muito longe. Mas nem assim deixamos que adentre na nossa casa. Abrir as portas e permitir que essa pessoa entre é aceitar que ela está começando a fazer parte de nossa vida. Mas o desconhecido não pode simplesmente entrar, sentar-se no sofá, pedir um pouco de água e receber a proposta de uma xícara de café. O desconhecido nos causa estranheza e isso é perfeitamente aceitável. Mas o que acontece quando acolhemos esse desconhecido? A resposta é simples: vemos que não era um ladrão, tampouco um mendigo. Mas é um desconhecido, que vem de longe, trazendo um pouco de conforto, querendo ser ouvido e procurando praticar algum tipo de atividade que, quem sabe, fora ensinada por mestres. Porém, essa condição de “desconhecido” deixa de existir instantaneamente. Descobrir afinidades não é nada fácil, principalmente se nos fechamos para tudo e para todos. Assim como não é nada fácil compartilhar sentimentos, angústias. Quem sabe ele é alguém capaz de transmitir e receber confiança, algo frágil que quando conquistado nos dá uma enorme sensação de liberdade, mas que quando quebrado é difícil de ser consertado. O curioso fato é que após longas conversas e segredos confiados, ele deixa de ser o desconhecido que veio de longe e a sensação de liberdade faz-se presente. É a mesma coisa para todos nós. Tentamos não nos aproximar muito das pessoas que vivem próximas ou mesmo das que vivem distantes. É fácil dar a alguns um aceno educado e depois perguntar o que há de errado. É mais seguro continuar andando do que se envolver. Verdade! Às vezes, conhecemos pessoas com as quais dividimos histórias, através da cerca ou mesmo de uma simples janela, e terminamos amigos de longa data. Por algum motivo, continuamos a fechar as portas para um suspeito ladrão, para um possível mendigo e certamente para o desconhecido. Após longas procelas, sabemos que tudo vai passar e a tempestade vai levar com ela o que não desejamos - a sujeira da calçada, as impurezas presentes no ar, o medo, as angústias, sentimentos. Mas após a chuva, sabemos que aquele que aparecera como um desconhecido - e que hoje é um companheiro de longa data, com toda certeza - estará lá, esperando com alguma história nova pra contar, um abraço ou simplesmente com um “oi”, na janela. Juntos, anseiam pelo dia em que não mais estarão distantes, mas sim concretizando aquele sentimento, através de um abraço bem apertado ou quem sabe até mesmo em uma sala de cinema, brotado espontaneamente em uma janela eletrônica.
segunda-feira, 1 de agosto de 2011
Pour TOI!
Outro dia resolvi caminhar pela praia. Precisava sentir meus pés sobre a areia. Precisava ouvir o barulho da água batendo nas pedras. Precisava olhar o mar e me sentir vivo novamente.
Acima de tudo, precisava esquecer o mundo que me cercava e esquecer as pessoas que me rodeavam. Fazia pouco tempo que Cecília tinha partido, ainda não a esquecera e meu coração, amiúde, sangrava. Por muito tempo tentamos viver juntos. Infelizmente foi tudo muito efêmero.
Finalmente estava me sentindo melhor. Parecia haver somente eu e as águas. Mas algo me faltava para entrar em conjunção novamente com aquele que havia sido no passado.
De repente, não estava mais sozinho. Não era o único ser a vagar pelas areias, como se estivesse no deserto, perambulando atrás de algo que nunca me fora dado. Olhei para o lado e vi um reflexo. Parecia ser alguém, mas não pude identificar se realmente era alguém ou apenas uma miragem, proporcionada pelo forte sol que cobria todo aquele lugar. Aproximei-me e vi que não estava sonhando: realmente tinha alguém ali. Conversamos e estranhamente tínhamos muitos assuntos em comum. Não conseguia entender como havia encontrado alguém que se parecesse tanto comigo. Pela primeira vez havia me esquecido de tudo, principalmente daquela que tanto me fizera sofrer. Descobrimos um novo mundo, juntos. Perguntei seu nome. Continuamos conversando por muito tempo e cada vez mais sentia como se fôssemos os únicos ali.
Mas do mesmo jeito que chegou, aos poucos vi aquela criatura partindo. Estava indo embora e novamente voltei a sentir medo naquela tarde. E se todos voltassem? E se nos esquecêssemos? Não saberia o que fazer e em uma tentativa desesperada, gritei soluçando:
- Espere! Não me deixe aqui sozinho. Preciso que fique comigo!
- Bobo! -foi assim que me chamou- Isso é apenas um sonho. Logo você irá acordar e verá que tudo isso não passou de devaneio. Quando acordar, não se desespere. Outras noites virão e quando você dormir, estaremos juntos novamente. Sempre que desejar, eu virei até você. E algum dia não te visitarei em seus sonhos. Quando esse dia chegar...
Calou-se, de repente. Deu-me um último beijo e se foi.
De súbito, despertei. Estava molhado pelo suor. Soluçava. É estranho, mas estava feliz com aquela situação. Tentei dormir novamente, mas não consegui. Logo amanheceu. Sai do quarto, tentando encontrar de alguma maneira, aquele ser com quem havia passado um tempo, mesmo sabendo que somente o veria a noite, quando sonhasse novamente.
Acima de tudo, precisava esquecer o mundo que me cercava e esquecer as pessoas que me rodeavam. Fazia pouco tempo que Cecília tinha partido, ainda não a esquecera e meu coração, amiúde, sangrava. Por muito tempo tentamos viver juntos. Infelizmente foi tudo muito efêmero.
Finalmente estava me sentindo melhor. Parecia haver somente eu e as águas. Mas algo me faltava para entrar em conjunção novamente com aquele que havia sido no passado.
De repente, não estava mais sozinho. Não era o único ser a vagar pelas areias, como se estivesse no deserto, perambulando atrás de algo que nunca me fora dado. Olhei para o lado e vi um reflexo. Parecia ser alguém, mas não pude identificar se realmente era alguém ou apenas uma miragem, proporcionada pelo forte sol que cobria todo aquele lugar. Aproximei-me e vi que não estava sonhando: realmente tinha alguém ali. Conversamos e estranhamente tínhamos muitos assuntos em comum. Não conseguia entender como havia encontrado alguém que se parecesse tanto comigo. Pela primeira vez havia me esquecido de tudo, principalmente daquela que tanto me fizera sofrer. Descobrimos um novo mundo, juntos. Perguntei seu nome. Continuamos conversando por muito tempo e cada vez mais sentia como se fôssemos os únicos ali.
Mas do mesmo jeito que chegou, aos poucos vi aquela criatura partindo. Estava indo embora e novamente voltei a sentir medo naquela tarde. E se todos voltassem? E se nos esquecêssemos? Não saberia o que fazer e em uma tentativa desesperada, gritei soluçando:
- Espere! Não me deixe aqui sozinho. Preciso que fique comigo!
- Bobo! -foi assim que me chamou- Isso é apenas um sonho. Logo você irá acordar e verá que tudo isso não passou de devaneio. Quando acordar, não se desespere. Outras noites virão e quando você dormir, estaremos juntos novamente. Sempre que desejar, eu virei até você. E algum dia não te visitarei em seus sonhos. Quando esse dia chegar...
Calou-se, de repente. Deu-me um último beijo e se foi.
De súbito, despertei. Estava molhado pelo suor. Soluçava. É estranho, mas estava feliz com aquela situação. Tentei dormir novamente, mas não consegui. Logo amanheceu. Sai do quarto, tentando encontrar de alguma maneira, aquele ser com quem havia passado um tempo, mesmo sabendo que somente o veria a noite, quando sonhasse novamente.
segunda-feira, 30 de maio de 2011
Jaqueline
Alguma vez você já se sentiu como se não fosse você mesmo?
E as pessoas te olhavam e diziam: Pobre criança! Partiu feroz, sem olhar para trás.
Alguma vez você já tentou gritar?
E sem alcançar o mais alto timbre, calou-se para sempre...
E todos continuavam dizendo: Pobre criança! Partiu feroz, sem olhar para trás!
Alguma vez você já teve a sensação de ver o mundo, com os olhos voltados para você, dizendo insistentemente: Pobre criança! Não parta!
Jaqueline já. E partiu, feroz. Juntou tudo que tinha em uma pequena mala. Não precisaria de mais nada, pois em seu coração levava o mais importante. Era assim que pensava.
Não ouviu os outros. Partiu a procura do seu destino. Encontrou-o. Revestida de luminosas cores, viu de mãos cruzadas sua vida passando diante de si. Era belo e mágico ver aquele por do sol. Sentada na areia, viu o mar levantar-se. Lembrou-se de suas reminiscências de infância. Lembrou-se de quando via e ouvia todos dizendo: Pobre criança!
Mas o que exatamente tornava Jaqueline uma pobre criança? Nunca ninguém soube explicar. Nem mesmo houve quem se atrevesse a descrevê-la usando outros adjetivos, pois não encontraria em dicionários nenhum vocábulo com valor semântico para tal façanha. E então, Jaqueline?! Como descrevê-la?
E em seus mais belos sonhos, Jaqueline lembrou-se de quando brincava e fingia ser adulta. Que ironia! Hoje, sentada na areia, Jaqueline anseia por voltar ao ventre materno. Desespera-se ao ver o balanço das ondas do mar e segue em direção às aguas. Ainda ouve todos dizendo: Pobre criança! Não parta! Volte, pois o mundo anseia por sua presença. Volte Jaqueline!
E novamente, feroz e sem olhar para trás, partiu Jaqueline de encontro ao mar. Na areia, lágrimas e um pouco do sabor amargo do mundo.
E as pessoas te olhavam e diziam: Pobre criança! Partiu feroz, sem olhar para trás.
Alguma vez você já tentou gritar?
E sem alcançar o mais alto timbre, calou-se para sempre...
E todos continuavam dizendo: Pobre criança! Partiu feroz, sem olhar para trás!
Alguma vez você já teve a sensação de ver o mundo, com os olhos voltados para você, dizendo insistentemente: Pobre criança! Não parta!
Jaqueline já. E partiu, feroz. Juntou tudo que tinha em uma pequena mala. Não precisaria de mais nada, pois em seu coração levava o mais importante. Era assim que pensava.
Não ouviu os outros. Partiu a procura do seu destino. Encontrou-o. Revestida de luminosas cores, viu de mãos cruzadas sua vida passando diante de si. Era belo e mágico ver aquele por do sol. Sentada na areia, viu o mar levantar-se. Lembrou-se de suas reminiscências de infância. Lembrou-se de quando via e ouvia todos dizendo: Pobre criança!
Mas o que exatamente tornava Jaqueline uma pobre criança? Nunca ninguém soube explicar. Nem mesmo houve quem se atrevesse a descrevê-la usando outros adjetivos, pois não encontraria em dicionários nenhum vocábulo com valor semântico para tal façanha. E então, Jaqueline?! Como descrevê-la?
E em seus mais belos sonhos, Jaqueline lembrou-se de quando brincava e fingia ser adulta. Que ironia! Hoje, sentada na areia, Jaqueline anseia por voltar ao ventre materno. Desespera-se ao ver o balanço das ondas do mar e segue em direção às aguas. Ainda ouve todos dizendo: Pobre criança! Não parta! Volte, pois o mundo anseia por sua presença. Volte Jaqueline!
E novamente, feroz e sem olhar para trás, partiu Jaqueline de encontro ao mar. Na areia, lágrimas e um pouco do sabor amargo do mundo.
quinta-feira, 3 de março de 2011
Maktub
Destino: o que há de vir, de acontecer; futuro.
Acontece que nem sempre é assim. O destino se encarrega de determinar como seremos, o que conquistaremos, quem amaremos, se seremos felizes ou não. Muitas vezes somos levados a pensar que o que nos aconteceu, antes mesmo de acontecer, já estava determinado.
Tomamos por certo o que nos foi bom. Caso contrário, a culpa é sempre do destino. Acontece que às coisas positivas, não atribuímos ao destino. Somente coisas negativas.
Destino é sinônimo de futuro. E o que dizer ou fazer, não sei bem, quando presente, passado e futuro são postos diante de nossos olhos? Esperar que o DESTINO se encarregue de fazer a escolha correta? Fugir da prisão que nos cobre de sentimentos impuros e que nos fazem abandonar sonhos e seguir vivendo em função do que já veio?
Por falar em sonhos, como interpretá-los? Para que eles servem? Outro dia tive um sonho. Queria acordar, gritar e quando finalmente despertei, apenas conseguia chorar. Sei que ainda possui lugar em meus pensamentos. Nesse sonho, não a via como em ambientes que costumava ver – cercada por cores, que a deixavam ainda mais bela. Estava cercada de manchas sombrias, de sangue. Acredito que esse sangue saía do meu coração, percorria seu corpo e marcava o chão com o contorno daquela figura. Mesmo assim, estávamos felizes. De repente, uma chuva torrencial caia do céu, levava toda aquela imundice com ela e parecíamos puros novamente. Estávamos cercados por espelhos, alguns quebrados. Não sabia direito o que fazer e de repente despertei. Talvez seja o destino me mostrando que ainda há maneiras de escolher, abandonar as prisões e encontrar o motivo da falta de afeto que acomete muitos seres humanos.
Mas escolhas são sempre difíceis. Uns se magoam, outros se alegram. Uns choram e outros sorriem. Almejamos sermos senhores de nosso destino, mas em desalinho vemos que somente o tempo é capaz de tamanha façanha. Como tomar a decisão correta? Se é que ela existe... Nossos destinos estão traçados. Vivemos apenas o que nos foi pré-desenhado, rascunhado. Disso não podemos nos esquivar. MAKTUB.
Acontece que nem sempre é assim. O destino se encarrega de determinar como seremos, o que conquistaremos, quem amaremos, se seremos felizes ou não. Muitas vezes somos levados a pensar que o que nos aconteceu, antes mesmo de acontecer, já estava determinado.
Tomamos por certo o que nos foi bom. Caso contrário, a culpa é sempre do destino. Acontece que às coisas positivas, não atribuímos ao destino. Somente coisas negativas.
Destino é sinônimo de futuro. E o que dizer ou fazer, não sei bem, quando presente, passado e futuro são postos diante de nossos olhos? Esperar que o DESTINO se encarregue de fazer a escolha correta? Fugir da prisão que nos cobre de sentimentos impuros e que nos fazem abandonar sonhos e seguir vivendo em função do que já veio?
Por falar em sonhos, como interpretá-los? Para que eles servem? Outro dia tive um sonho. Queria acordar, gritar e quando finalmente despertei, apenas conseguia chorar. Sei que ainda possui lugar em meus pensamentos. Nesse sonho, não a via como em ambientes que costumava ver – cercada por cores, que a deixavam ainda mais bela. Estava cercada de manchas sombrias, de sangue. Acredito que esse sangue saía do meu coração, percorria seu corpo e marcava o chão com o contorno daquela figura. Mesmo assim, estávamos felizes. De repente, uma chuva torrencial caia do céu, levava toda aquela imundice com ela e parecíamos puros novamente. Estávamos cercados por espelhos, alguns quebrados. Não sabia direito o que fazer e de repente despertei. Talvez seja o destino me mostrando que ainda há maneiras de escolher, abandonar as prisões e encontrar o motivo da falta de afeto que acomete muitos seres humanos.
Mas escolhas são sempre difíceis. Uns se magoam, outros se alegram. Uns choram e outros sorriem. Almejamos sermos senhores de nosso destino, mas em desalinho vemos que somente o tempo é capaz de tamanha façanha. Como tomar a decisão correta? Se é que ela existe... Nossos destinos estão traçados. Vivemos apenas o que nos foi pré-desenhado, rascunhado. Disso não podemos nos esquivar. MAKTUB.
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