segunda-feira, 12 de março de 2012
Texto da (des) continuidade
Não me deixe... Não me deixe...
Logo que acordei, senti um vazio ao meu lado na cama. Estava sozinho novamente. Sentia frio e não tinha coragem de sair do quarto, ir até a cozinha preparar uma xícara de chocolate quente e voltar, sabendo que não estaria lá. Quando abri a janela, vi que chovia um pouco e tudo estaria limpo, após mais uma procela.
Não me deixe... Não me deixe...
Uma promessa havia sido feita. Um sentimento havia sido correspondido e nada mudaria. Pelo menos era assim que pensava. Mas e se ao longo do dia eu percebesse que a promessa também havia sido um sonho? Muitos não acham estranho como algumas coisas acontecem em nossa vida. Somente um fato é estranho: não aceitamos que uma história chega ao fim. Cada dia, mais frustrados, sentimos que conjugar verbos como “amar”, “gostar” e todos os outros de mesmo valor semântico é tarefa para poucos.
Não me deixe... Não me deixe...
Outro dia, esses sentimentos foram postos à prova. O que aconteceu? – perguntam alguns poucos, ao verem que lágrimas escorrem. As lágrimas escorreram sim. Aliás, as lágrimas ainda escorrem, molhando o teclado dessa vez. Que redundância! Uma mesma combinação de verbos e substantivos usados tantas vezes!
Não me deixe... Não me deixe...
Pessoas são criaturas complicadas. Algumas, muitas vezes são capazes de atos grandiosos, que nos deixam estagnados perante determinados acontecimentos. Encontrar pecadores não é uma tarefa difícil, pois basta olhar através das janelas, mesmo em dias chuvosos como esse, e vai ver que eles existem. São capazes das piores formas de traição e não sabem agir discernindo pecado de maldade.
Assim, não há promessa, tampouco criaturas (des) complicadas que fazem com que essa sensação de “Não me deixe” escorra junto com a água das chuvas. Já anoiteceu novamente e mais um dia foi perdido. A propósito, não é engraçado que antes de dormirmos, mentimos para nós mesmos em uma tentativa desesperada de que na manhã seguinte tudo será verdade?
Não me deixe... Não me deixe.
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