sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Amanhecer

O dia começou de maneira mais tranquila possível. O banco estava no mesmo lugar de sempre, o sol brilhava como todas as manhãs e os vizinhos trocavam olhares dizendo “bom-dia”, cordialmente.

As horas seguiam e o que todos almejavam era o fim daquela manhã infernal de domingo. Chegou a hora do almoço e todos, como de costume, não iam almoçar fora. Uns faziam uma singela refeição, outros simplesmente não comiam e poucos dividiam uma massa simples, feita a quatro mãos.

Após o almoço, uns conversavam alto, outro simplesmente ignoravam a existência de todos ao redor e ainda havia aqueles que simplesmente existiam; eram cordiais com todos os habitantes medíocres e não medíocres que estavam presentes ali.

A tarde passou com a mesma velocidade que um raio, lançado dos céus, atinge o solo. Os falantes continuavam falando alto, os que ignoravam continuavam com sua labuta diária e os que simplesmente existiam, continuavam existindo. Mas geralmente esse dia proporciona a todos sessões de nostalgia. Uns relembram atos há muito esquecido, outros discutem sobre temas mais abstratos possíveis.

A perturbação predomina durante a noite e o caos toma conta daquelas pobres vidas: ninguém conversa, ninguém discute, mas com certeza há aqueles que vivem. Ou simplesmente acreditam nisso.

Sentimentos que não são passiveis de explicação tomam conta de uma parcela mínima de “viventes” ou “sobreviventes”, que neste ponto se encontram reunidos na sala ou no quarto, aguardando ansiosos o fim de mais um dia. Esperam aflitos um novo amanhecer, onde possivelmente, o sol brilhará, o banco vai estar lá e os vizinhos , simplesmente irão trocar olhares.

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