Outro dia resolvi caminhar pela praia. Precisava sentir meus pés sobre a areia. Precisava ouvir o barulho da água batendo nas pedras. Precisava olhar o mar e me sentir vivo novamente.
Acima de tudo, precisava esquecer o mundo que me cercava e esquecer as pessoas que me rodeavam. Fazia pouco tempo que Cecília tinha partido, ainda não a esquecera e meu coração, amiúde, sangrava. Por muito tempo tentamos viver juntos. Infelizmente foi tudo muito efêmero.
Finalmente estava me sentindo melhor. Parecia haver somente eu e as águas. Mas algo me faltava para entrar em conjunção novamente com aquele que havia sido no passado.
De repente, não estava mais sozinho. Não era o único ser a vagar pelas areias, como se estivesse no deserto, perambulando atrás de algo que nunca me fora dado. Olhei para o lado e vi um reflexo. Parecia ser alguém, mas não pude identificar se realmente era alguém ou apenas uma miragem, proporcionada pelo forte sol que cobria todo aquele lugar. Aproximei-me e vi que não estava sonhando: realmente tinha alguém ali. Conversamos e estranhamente tínhamos muitos assuntos em comum. Não conseguia entender como havia encontrado alguém que se parecesse tanto comigo. Pela primeira vez havia me esquecido de tudo, principalmente daquela que tanto me fizera sofrer. Descobrimos um novo mundo, juntos. Perguntei seu nome. Continuamos conversando por muito tempo e cada vez mais sentia como se fôssemos os únicos ali.
Mas do mesmo jeito que chegou, aos poucos vi aquela criatura partindo. Estava indo embora e novamente voltei a sentir medo naquela tarde. E se todos voltassem? E se nos esquecêssemos? Não saberia o que fazer e em uma tentativa desesperada, gritei soluçando:
- Espere! Não me deixe aqui sozinho. Preciso que fique comigo!
- Bobo! -foi assim que me chamou- Isso é apenas um sonho. Logo você irá acordar e verá que tudo isso não passou de devaneio. Quando acordar, não se desespere. Outras noites virão e quando você dormir, estaremos juntos novamente. Sempre que desejar, eu virei até você. E algum dia não te visitarei em seus sonhos. Quando esse dia chegar...
Calou-se, de repente. Deu-me um último beijo e se foi.
De súbito, despertei. Estava molhado pelo suor. Soluçava. É estranho, mas estava feliz com aquela situação. Tentei dormir novamente, mas não consegui. Logo amanheceu. Sai do quarto, tentando encontrar de alguma maneira, aquele ser com quem havia passado um tempo, mesmo sabendo que somente o veria a noite, quando sonhasse novamente.
diante desse texto saudável e maduro em relação à Linguística Textual nada me resta a dizer...
ResponderExcluirpor outro lado, sempre digo que as coisas platônicas dessa vida são mais seguras sim, e, de fato!
Gente, linda história!!
ResponderExcluirEsse "de repente, não estava mais sozinho" é o que justamente nos ocorre, às vezes percebemos de supetão o que sempre esteve ao nosso lado!