"Na primeira noite adormeci sobre a areia, a quilômetros e quilômetros de qualquer terra habitada. Estava mais isolado que um náufrago num bote perdido no meio do oceano. Imaginem qual foi a minha surpresa quando, ao amanhecer, uma vozinha estranha me acordou. Dizia:
- Por favor.... desenha-me um carneiro!
Levantei-me num salto, como se tivesse sido atingido por um raio. Esfreguei bem os olhos. Olhei ao meu redor. E vi aquele homenzinho extraordinário que me observava seriamente. Olhava para aquela aparição com os olhos arregalados de espanto.
Não se esqueçam de que eu me achava a quilômetros e quilômetros de qualquer terra habitada. Quando finalmente consegui falar, perguntei-lhe:
- Mas... O que fazes aqui?
E ele repetiu, então, lentamente, como se estivesse dizendo algo muito sério:
- Por favor... desenha-me um carneiro.”
E não foi assim que conheci, um dia, o principezinho. Era uma tarde fria, como todas as outras, caracterizando o inverno daquela região. Sentia frio, e estava com uma imensa vontade de tomar um banho, e, em seguida, uma xícara de chocolate quente ou algo que pudesse me manter aquecido. O frio queimava meu rosto, fazendo com que minhas bochechas ficassem rosadas, devido à baixa temperatura. O relógio marcava 17 horas e precisava me desligar do computador, mas não podia. Precisava corrigir alguns trabalhos, reescrever textos que já estavam pendentes há algum tempo e não podiam mais esperar. Meu chocolate podia. Meu corpo podia congelar de frio, assim como minhas bochechas podiam congelar para sempre. Felizmente, eu tinha que fazer isso. Os ponteiros do relógio não paravam, me fazendo ver que meu tempo se esgotava e precisava entregar os textos... Foi então que me vi em uma situação difícil: havia um problema cuja resposta eu não tinha. Como eu odeio estudar gramática de uma língua estrangeira! Agora sim: foi, então, que conheci o pequeno príncipe.
A partir daquele momento, minha vida mudaria. A partir daquele momento, estudar gramática não seria algo oneroso. Passamos, então, a descobrir as semelhanças e diferenças entre aquele pequeno-grande ser e eu. Gostos musicais, os mesmos chocolates, os mesmos perfumes, os mesmos hábitos e até mesmo as mesmas “grosserias”. Os meses se passaram rapidamente, desde então, e já faz quase um ano, desde aquela tarde fria. Um rio de lágrimas já foi derramado, mas oceanos foram construídos, a partir de sorrisos e momentos fantásticos, que não sei se irão se repetir. Sinto saudades daqueles momentos em que descobri que chocolate meio amargo era o melhor do mundo para ambos. Sinto saudades daqueles momentos em que às 3h30 já era tarde demais para acender a luz do quarto, pois alguém poderia acordar. Sinto saudades daqueles momentos, onde 4h30 ainda era cedo pra desligar a webcam. Sinto saudades daqueles momentos em que balas eram oferecidas a quase 500 km de distância (como se fosse possível aceitar, mas mais impossível seria recusar!). Sinto saudades dos momentos em que, através de sinais, dizíamos “te amo” ou “gosto muito de você”. Sinto saudades dos momentos em que podia te ouvir cantando “João e Maria, Folhetim e Raphaël”, enquanto presenciava uma crise de ciúmes, causada por um simples telefonema. Sinto saudades de te ver costurando uma fantasia para uma festa, onde uma luva era uma peça indispensável ao figurino. O que dizer sobre as implicâncias fonéticas, fonológicas e prosódicas acerca dos nossos dialetos? Enfim... Agora, o que temos é uma promessa eterna de “nunca te esquecerei” e um bilhete de cinema, que representa toda nossa história: I love you once, I love you twice... I love you more than beans and rice. Goodbye.
sexta-feira, 22 de junho de 2012
I love you once... I love you twice: Goodbye.
"Na primeira noite adormeci sobre a areia, a quilômetros e quilômetros de qualquer terra habitada. Estava mais isolado que um náufrago num bote perdido no meio do oceano. Imaginem qual foi a minha surpresa quando, ao amanhecer, uma vozinha estranha me acordou. Dizia:
- Por favor.... desenha-me um carneiro!
Levantei-me num salto, como se tivesse sido atingido por um raio. Esfreguei bem os olhos. Olhei ao meu redor. E vi aquele homenzinho extraordinário que me observava seriamente. Olhava para aquela aparição com os olhos arregalados de espanto.
Não se esqueçam de que eu me achava a quilômetros e quilômetros de qualquer terra habitada. Quando finalmente consegui falar, perguntei-lhe:
- Mas... O que fazes aqui?
E ele repetiu, então, lentamente, como se estivesse dizendo algo muito sério:
- Por favor... desenha-me um carneiro.”
E não foi assim que conheci, um dia, o principezinho. Era uma tarde fria, como todas as outras, caracterizando o inverno daquela região. Sentia frio, e estava com uma imensa vontade de tomar um banho, e, em seguida, uma xícara de chocolate quente ou algo que pudesse me manter aquecido. O frio queimava meu rosto, fazendo com que minhas bochechas ficassem rosadas, devido à baixa temperatura. O relógio marcava 17 horas e precisava me desligar do computador, mas não podia. Precisava corrigir alguns trabalhos, reescrever textos que já estavam pendentes há algum tempo e não podiam mais esperar. Meu chocolate podia. Meu corpo podia congelar de frio, assim como minhas bochechas podiam congelar para sempre. Felizmente, eu tinha que fazer isso. Os ponteiros do relógio não paravam, me fazendo ver que meu tempo se esgotava e precisava entregar os textos... Foi então que me vi em uma situação difícil: havia um problema cuja resposta eu não tinha. Como eu odeio estudar gramática de uma língua estrangeira! Agora sim: foi, então, que conheci o pequeno príncipe.
A partir daquele momento, minha vida mudaria. A partir daquele momento, estudar gramática não seria algo oneroso. Passamos, então, a descobrir as semelhanças e diferenças entre aquele pequeno-grande ser e eu. Gostos musicais, os mesmos chocolates, os mesmos perfumes, os mesmos hábitos e até mesmo as mesmas “grosserias”. Os meses se passaram rapidamente, desde então, e já faz quase um ano, desde aquela tarde fria. Um rio de lágrimas já foi derramado, mas oceanos foram construídos, a partir de sorrisos e momentos fantásticos, que não sei se irão se repetir. Sinto saudades daqueles momentos em que descobri que chocolate meio amargo era o melhor do mundo para ambos. Sinto saudades daqueles momentos em que às 3h30 já era tarde demais para acender a luz do quarto, pois alguém poderia acordar. Sinto saudades daqueles momentos, onde 4h30 ainda era cedo pra desligar a webcam. Sinto saudades daqueles momentos em que balas eram oferecidas a quase 500 km de distância (como se fosse possível aceitar, mas mais impossível seria recusar!). Sinto saudades dos momentos em que, através de sinais, dizíamos “te amo” ou “gosto muito de você”. Sinto saudades dos momentos em que podia te ouvir cantando “João e Maria, Folhetim e Raphaël”, enquanto presenciava uma crise de ciúmes, causada por um simples telefonema. Sinto saudades de te ver costurando uma fantasia para uma festa, onde uma luva era uma peça indispensável ao figurino. O que dizer sobre as implicâncias fonéticas, fonológicas e prosódicas acerca dos nossos dialetos? Enfim... Agora, o que temos é uma promessa eterna de “nunca te esquecerei” e um bilhete de cinema, que representa toda nossa história: I love you once, I love you twice... I love you more than beans and rice. Goodbye.
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