quarta-feira, 1 de agosto de 2012
Still Here: For the Last Time.
Em um ato, talvez desesperado, Rita se jogou do último andar do prédio onde morava. Enquanto caía, viu sua vida passando através das janelas daqueles sombrios apartamentos. Primeiramente, viu suas reminiscências de infância. Escura e claramente ao mesmo tempo, sua juventude corria pelos trilhos do trem que dividia as ruas principais daquele bairro. Foi então que Rita começou a revirar o baú, constituído por suas lembranças. Mesmo que não tivesse durado muito tempo, o que havia acontecido havia sido verdadeiro. Guilherme tinha significado, absolutamente, muito para ela. Em sua frente, Rita o viu pela primeira vez como um anjo. Naquele momento, soube que não havia mais volta.
- E então? A qual filme vamos assistir?
- Não sei! Escolha você, pois eu já escolhi o que faríamos.
- Se lembra? Foi assim na primeira vez que nos encontramos. Eu já disse que gosto muito de você. Infelizmente, não fomos felizes ao sermos distanciados assim. Eu te fiz uma promessa, não foi? Ela será cumprida. Não se desespere, pois sempre estarei ao seu lado e nada fará com que esse afeto se reduza. Amanhã será um novo dia... Quando acordar, meu bebê, estaremos juntos.
Rita sabia que não iria acordar, muito menos estar com Guilherme outra vez. Rita sabia que essa era a última vez em que o veria. Guilherme, assim como sua confusa alucinação naquele momento, havia sido um lindo devaneio.
- Se lembra de quando brigamos? Você me disse que era melhor não nos falarmos mais, pois me amava demais. Jamais deixaria de falar com você, pois também te amo.
- Sim. Naquele dia, chorei o dia todo. Fiquei trancada no quarto. Você tinha me dito que havia conhecido outra pessoa. Sabe o que mais me dói? Você não saber exatamente o que sente, tampouco o que quer...
Após um breve silêncio, Guilherme chorou pela última vez.
- Por que você fez isso? Nós ainda tínhamos alguma chance...
- Não creio. Eu já havia feito essa pergunta e sua resposta foi um “não sei”. O que eu mais queria ouvir naquele momento era um “sim” e se não fomos felizes, a culpa é sua. Eu te amei como não havia amado antes. Nunca pensei ser capaz de sentir algo assim por alguém que nem ao menos respondia às mensagens que eu costumava enviar. Se alguém sofreu, se alguém teve um corte profundo na alma e no coração, esse alguém está diante de você. E “amar” não é um verbo a ser conjugado e dito a alguém. Antes disso, é preciso senti-lo, compreendê-lo e só então, ele passa a ser mais que uma simples associação de fonemas. Somente nesse momento, toda a carga semântica e significados pragmáticos transcendem ao simples ato discursivo. Hoje, não acredito em nós, não acredito que um dia você me levou ao cinema, que um dia brigamos, que um dia te amei, que um dia tomamos sorvete juntos e depois caminhamos pela orla da praia. Isso tudo não passou de um sonho, que agora chega ao fim. Entretanto, sopre me um último beijo...
Naquele momento, Rita sentiu um forte impacto sobre sua cabeça. Ao mesmo tempo, seus lábios foram docemente tocados. O gosto em sua boca que, até então, era meio agridoce, passou a ser o de uma torta de chocolate que haviam dividido outrora. Pela última vez Rita chorou e, finalmente, encontrou amor em um lugar sem saída, juntando-se aos cacos da porcelana, fazendo parte daqueles estilhaços que foram arremessados contra o vento.
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A continuação ficou muito boa!
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