Entro no bar. De repente, vejo me rodeado por gente que não conheço, gente que nunca vi.
O que podemos ter em comum? A ânsia de partir? Não sei... Procuro entender... O que pedir ao garçon? Tequila? Conhaque? Quem sabe um vinho...
Não! O vinho me traz a memória cenas que prefiro que permaneçam esquecidas em algum lugar perdido de meu cérebro, como a imagem dela...
Uma pergunta apenas: O que vai beber?
E desejando esquecer a dor que trago no peito, respondo sem hesitar: cachaça.
Após algumas doses, minha cabeça dá voltas e vejo refletido em um jovem casal um retrato do que vivi. Será que realmente vivi ou não passam de devaneios? A essa altura, como um animal irracional, não consigo pensar e saber quem ou o que sou. Sinto em minhas veias, correndo junto com meu sangue, um intenso desejo de acordar. Anseio por liberdade. Anseio por algo que não sei se me é permitido. E no auge de minha embriaguez, incomodo o jovem casal. Éramos os únicos no bar.
- Seu bêbado! - Foram as palavras vomitadas pelos dois, em coro. Eu estava errado? Só queria que eles soubessem que eu estava ali, queria que me ouvissem.
São cinco ou seis horas e parece me que o bar vai fechar.
Preciso sair, atravessar a cidade e chegar em casa. Não sei se consigo. Do lado de fora, sentado na calçada, apenas um cigarro e alguns cães. O caos domina meus pensamentos e não consigo raciocinar.
De súbito, caio no sono e aquela cena que havia presenciado no bar parece estar se repetindo na minha frente!
Após um profundo mergulho no obscuro esquecimento, proporcionado pelo álcool que ainda corre em minhas veias, despertei.
Eu era apenas mais um, sentado na calçada. O velho all star, jeans gasto e desbotado pelo tempo, rodeado por cães e com algumas moedas no bolso.
Já era dia, mas estranhamente sentia uma vontade inexplicável de ver estrelas. Ah! Como eu queria ver estrelas!
Nossa! Você escreve com uma sensibilidade que eu não sabia que existia em você, não que você seja insensível, quero dizer que há algo que brilha mais que seu sarcástico humor!
ResponderExcluirSeus ensaios, que já eram muito bons, tem melhorado muito.
ResponderExcluirContinue escrevendo, pois quero continuar lendo-os.
Parabéns