Mariana acordou como de costume, soluçando. Viu no espelho reflexos do que foi outrora.
Desejou gritar e mostrar a todos que estava ali, que existia.
Infelizmente, a realidade dela é outra, diferente da realidade dos outros.
Os outros vivem! Os outros sorriem! Os outros amam!
E Mariana? Simplesmente pensa que vive, pensa que sorri. Simplesmente pensa que ama.
Mas existe algo em comum entre Mariana e os demais: todos choram!
Os outros choram por frustrações, coisas não acabadas, alguns vinténs perdidos.
Mariana chora, enquanto seu peito sangra pela ausência de alguns companheiros.
Chora por não compreender o que querem dela. Chora por não saber o que faz ali, não entender o motivo de não se libertar da prisão na qual a colocaram. Chora porque sabe que precisa ser ouvida, mas sabe que os ouvidos do mundo estão fechados pra ela. Precisa de conselhos, mas não existe ser capaz de vomitar algo do qual ela possa tirar algum proveito.
Os motivos? Ser diferente ou ser apenas mais uma no meio das estrelas apagadas? Ninguém sabe... Nem Mariana...
Amiúde, Mariana acorda assim. Hoje acordou como de costume, soluçando. Havia chorado a noite toda, enquanto a chuva caía lá fora. Repetiu alguns versos, Camões talvez, e sentiu que mais uma vez estava sozinha. Seus filhos haviam saído para ter com os amigos e ver o sol radiante que iluminava aquela manhã.
Como de costume, abriu as janelas, foi até o jardim, colheu algumas flores e entrou novamente, sem nem ser notada pelos vizinhos.
Nossa que lindo!!! VoCê é muito talentoso..AMEI!
ResponderExcluirPARABÉNS!
Você lembra um amigo que tive e escreve como ele.
ResponderExcluirAdorei!
Mariana me lembrou Macábea de Clarice Lispector.
ResponderExcluirMais uma vez: Parabéns.