sábado, 1 de março de 2014

Carpe Diem

Tempo. Para alguns, o melhor remédio para que as piores feridas possam cicatrizar. Para outros, a mais cruel das muitas formas de sofrimento.
– Espere, rapaz! Uma hora acontece e você encontra o que tanto procura.
Não, eu não encontrarei. Não sou capaz de me permitir arriscar mais uma vez. Há muito tempo jurei a mim que não sofreria de novo. Infelizmente não posso mandar em meu coração, apesar de acreditar que o cérebro é mais forte que aquele pobre pulsante. Há pouco tempo, jurei a mim que tinha encontrado o que tanto busco. Mas enganei-me e, sentado na praia, chorei ao lembrar-me de todos aqueles longos anos.
Não se preocupe, meu bom Principezinho! As lágrimas já não doem mais. Aliás, todas as lágrimas que derramei por você foram como essas, misturadas à saudade e às lembranças daqueles bons anos. Com você aprendi que eu não posso ter agora o que me foi destinado para amanhã. Agarro-me a isso sempre que penso em desistir. Agarro-me àquela mensagem de texto no celular, em que você desejou-me “Feliz Dia das Crianças”. Lembro-me, com ternura, daquela tarde, quando vi você se conter diante dos enfeites de Natal, em todas as lojas, para que eu não me surpreendesse com sua “infantilidade”. Seus olhos brilhavam diante daquelas luzes e guirlandas e, naquele momento, o conheci de verdade, ao ver que você traz consigo toda a inocência que sempre busquei para mim. Naquele momento, descobri o real significado de um sentimento muitas vezes esquecido. Sentados em uma lanchonete, olhávamos um para o outro, sem medo do que pudesse acontecer e sentia-me protegido novamente, amando-te como nunca havia feito antes.
Lembro-me de sua chegada como se tivesse sido há dois dias... Como a mais suave das brisas, você soprou-me aquelas palavras e seu perfume espalhou-se pelo meu quarto. Naquela tarde fria, dividimos os mesmos gostos, as mesmas alegrias e tristezas, os mesmos medos, as mesmas músicas, os mesmos chocolates, o mesmo perfume e dividimos, finalmente, uma vida. Até hoje consigo sentir o gosto do seu beijo ao comer um pedaço de chocolate meio amargo. Seu abraço permanece vivo e é sentido a cada manhã, quando levanto-me e olho para aqueles bilhetes de cinema. Sua voz ecoa em minha mente toda vez em que ouço as músicas que você cantou para mim, principalmente as francesas. Ainda sinto sua presença todas as noites, quando, antes de dormir, imagino como teria sido se eu tivesse arriscado mais. Continuo imaginando, planejando, pois sei que ainda há muito para vivermos. Tardes como as que já tivemos deveriam ter se repetido. Tenho a certeza de que em breve serão constantes e, novamente à beira mar, seremos um só. Amo-te, mon ange. Amo-te.

Um comentário:

  1. Gosto de ver como as suas memórias estruturam pouco a pouco o texto e, principalmente,quando as descrições das lembranças se tornam loci et imagines para o leitor que já acompanha o blog!

    ResponderExcluir